Sunday, August 27, 2006

6º ato! o velhinho do doce...

Me propus, aqui, a escrever sobre o cotidiano, de quem, não importa... na maioria das vezes acaba por ser o meu... whatever...
O legal de reparar no cotidiano são aquelas coisas que sempre estão lá... e quase ninguém nota.
Toda dia que eu vou pra universidade eu passo por um velhinho que vende doces caseiros na rua. Ele coloca uma barraquinha na calçada e vende lá os docinhos... sempre sorrindo. Algumas vezes ele leva um menino de uns 7 ou 8 anos que aparenta ser seu neto.
É um velhinho simpático, meio calvo de cabelos e bigode brancos. Não sei bem porque, mas eu me sinto bem quando eu passo por ele, me dá vontade de sorrir.
Outro dia eu passei pela rua e não o vi. Fiquei pensando o que teria acontecido para ele não estar lá. Fiquei até meio triste. Sei lá, loucura minha, ou não.
No dia seguinte ele também não estava lá. Quase ‘morri’.
Na semana seguinte eu queria comprar um doce pra uma amiga minha, estava ele lá, sorrindo, como sempre. Comprei o tal do doce, no dia seguinte levei pra minha amiga. Como eu nunca tinha comido esse doce, eu a perguntei se estava/era bom. Ela respondeu que aquele não estava bom do jeito que é. Me mordi de raiva do velho. Pensei: velho safado!!! fica me vendendo doce ruim!!!No dia seguinte passo eu pela rua e lá está ele. Com o sorriso no rosto. Pensei que ficaria com ‘raiva’ dele. Doce ilusão. Passo por ele e me sinto bem, não consigo não gostar dele. Fazer o quê?!

Saturday, August 05, 2006

5º ato! O santo olhar de todo dia...

Acho que é normal nas metrópoles as pessoas não se cumprimentarem, ou melhor, se quer se olharem...
Acho que gente é tão normal já que já perdeu a importância, o interesse, sei lá...
Tantos prédios, tantos elevadores...
A minha vida está assim agora... saio de um lugar com elevador e chego em outro com outro elevador... e as pessoas nem se olham, é como se fossem invisíveis, como se inexistissem... mal, mal alguém se atreve a um bom dia, a um olá, tímido que seja! E nesse meio todo eu percebo que estou perdendo toda a minha mineirice... aquela que me faz saber o nome do Noel da portaria, do Paulim do botequim, do Baptista da secretaria... mas agora já corro atrás do prejuízo! Não se atreva a passar na minha frente se não quiser ouvir um oi que seja!
Mineiros sempre olham, se não for nos olhos olham pra testa, pra boca, mas olham.
Com olhar de interesse, curiosidade, de aprovação ou reprovação, de pudor, mas olham.
Gosto de gente que olha. Quero o meu santo olhar de todo dia... Não vou me tornar mais uma pessoa de concreto no meio da selva de pedra.